23 de janeiro de 2007

A Cega




A mão que se estende pedindo ajuda a quem passa.
Estende-se cansada de uma vida de migalhas dos outros.
Procura o conforto de uma palavra que nunca tem,
de um sorriso que nunca vê,
de um gesto que nunca sente.

Aquela mão que se envergonha de si própria por pedir.
Aquele grito interior de esperança e o suspiro de dor que o acompanha, abafando-o.
A esperança de viver feliz, o suspiro de morrer só.
A cega pede e as pessoas passam.
Indiferentes à sua existência,
à sua dor,
ao seu cansaço.

Aqueles indiferentes como tu.
Como eu.